12:16 AM

............eraOdito............

............eraOdito............

8:55 AM

Política Arquetípica do Brazil

....Há de ser dito que hão defuntos apodrecendo, esperando alguém meramente caricata, caridoso, cardeal, cordial, casto, monge por natureza, longe de destreza, político, paleolítico, mítico, impudico, um palhaço, qualquer alguém como ninguém qualquer, que os enterrem lá no cafundó do Judas, sei lá, na casa da sogra, o lugar não importa, senão o merecido enterro.
....Um jovem do povo ergue-se dizendo que seria ele o nomeado para fétido, espúrio, vil, serviço. Meu caro, caríssimo jovem, pueril jovem, menino, criança, infantil, sem fala, sem razão, sem motivos, não poderia ser você quem faria tal trabalho de porcos, não, assente no seu banco, desfrute da vida, coma, caia de boca nas delícias, brinque, cresça, não, há de ser outro que não você.
....Vejam, meus compatriotas, a nojeira do planalto, aquele defeca, este pisa, o outro senta, aquela ri, nós embasbacados ficamos, aqui, pasmos, asnos de nós mesmos. Pois, claro que alienamos nosso palco, mas quem diria que os atores seriam tão habilidosos, vejam só aquele, encena um Robin Hood às avessas, aquele outro o franciscano mascarado, o fulano ali um vrdadeiro César, vejam como é autêntico, quanta formosura, na roupa branquinha, no colarinho branquinho, que mãos grandes, quanta firmeza, como é cesáreo, assusta-me quase, mas só quase. Tamanha teatralidade encarnando uma tragédia, ao modo grego, se não fosse cômica, pois sabemos que assim é, a comédia da vida pública. Vemos que leram bem a poética aristotélica e como bons imitadores preparam o próximo ato, a surpresa, natureza, vileza, quem sabe. A expectativa expectorante é o que fascina o povo, a plebe, o proletário, o servo, o escravo, o compatriota nosso.
....Um velho ergue-se com dificuldade a bengala, não diz nada. levanta-se, dá as costas, caminha. Vai embora.. Não foi desta vez.
....Nobres colegas, o teatro é nosso, a direção é de todos, os atores somos nós. De que serve o corpo eleito democraticamente se querem cavalgar na periferia, favela, novela dos descamisados, dos favelados, dos pobretões, do resto, dos rebelados. Cadê os rebeldes; libertos, povo brasileiro, do autoritarismo oliva; presos, estudantes, na falsa intelectualidade, improdutivo engajamento de vil academicismo. O teatro é nosso, a peça é velha. A mesma velha história que começa no conto de escola e termina na inaudível discussão, de classes?, não, de interesses continuamente aristocráticos.
....A moça ali no fundo, no cantinho, dá um berro estridente, -Eu posso! Serei eu o levante popular, carregarei os valores do povo, lutarei para as massas!, prostrando-se no meio da sala. Bonitinhas palavras, mas como os outros defuntos, demagógicas demais. Volte, moça, para lá, no cantinho, continue no seu estado de afasia, apoplexia, apatia, aneurisma, como os demais.
....Comapanheiros, companheiras, indefinidos,assumidos, povo que povoa o povoado brasileiro. O estado é de sítio, não é fazenda não. Usurparam nossa identidade, construíram lá para o estrangeiro a idumentária de um Estado de descamisados. Patrícios, irmãos, compatriotas, companheiros, Uní-vos. Se o teatro é nosso por direito, apossemo-nos dele. Fincaremos a bandeira da brasilidade, onde agora será a ursa-maior nosso símbolo, representante do anti-herói brasileiro, as palavras que ressoarão, tamanho usucapião, serão: Afasia Apoplexia Apatia, os males da brasilidade não são. Num uníssono companheiros!
....Uma folha de papel caiu no chão. Silêncio se fez. O cachorro, ouvinte, enfiou o rabo entre as pernas e saiu a galope.-Tudo bem companheiros, serei eu representante de vocês, este que lhes fala. Fez outra vez silêncio.-Que querem, então? Que a putrefação, lá, continue? Que querem, meu povo, minha gente, filhos de Macunaíma?
....-Afasia. Gritou alguém lá atrás.
....-Apoplexia. Gritou alguém do outro lado.
....-Apatia. Gemeu um velho.
....-Os males do Brazil são. retrucou o orador.
....Assim, o povo brasileiro continuou seguro de seu conservadorismo colonial e o teatro seguiu Brazil afora com a mesma peça, entitulada:

"Mítica Política Arquetípica do Café"

3:05 PM

Diálogo Metadesestruturado

Diálogo Metadesestruturado


Não! Não me venha com signos

as simbologias desvaneceram

e ainda querem o aumento

da in capacidade humana

ter

na

Como ousam puristas moralistas

imorais ultrajantes palavras?


Não! Não me dissocie,

todos são nossos produtos.

Seu mundo é por nós.

Quer, no parapeito,

entender aleitando?

Chupe!

São Neo-trágicos.

A comicidade impera.


Não! Não seja infâme

Não nos compare ao Ser

Não somos

Nosso paradigma é ordem

e neologiso vocês

Espelhos de mim alma?

Espelhos do mundo calma.


Minha edificação,

feição substancial,

é palavrosa e

espinho a todos como uma rosa.


Não! Não seja tola

no fim verborragia

em mim

é me

me

ro

Sou eu o todo

Aliena a mim toda a construção

Não! Não a quero

Desconstruo

Recrio a linguagem efêmera

Tácito

desestruturo nova

mente.
--------------------------------------------------------------------

Friedrich Romalek, filósofo, 77 anos, nascido em Psicatomópolis

4:31 AM

Temporalidade pueril

Temporalidade pueril


'Papai, o céu é grande'. O céu tem tanto céu que eu fico tontinho. A bola rola, na trave um pardal chaiando. No balanço vou e vou.

A bola rola, no buraco outras tantas. A pipa no céu, o vento varre o coração. Eu corro e corro, pegamos mais um. Pulo e subo a arvorinha, mamãe chama.

Os meus amigos começaram a sussurrar, abrem minhas portas, minha memória. Dos meus gibis sobraram palavras, meu livro posso ler. Meu coração acelera, para, acelera, trava, encolhe, arqueja. Meu eu, meus eus explodem em desarmonia, harmonia que surpreende, supera, se faz, desfaz, refaz, perfaz e eleva-se ao céu, meu eu sou eu, sou grande.

O prazer é o que importa, importo vinhos. Assisto Kubrick, Goddard e lá vem Almodóvar, tomo capuccino. O amor acaba, na esquina, na mesa do bar, no restaurante, naquele olhar onde começou. Dou risada de palhaços, riem de nós, os políticos.

Que é prazer? Que são amigos? Quem foi papai? É à noite deitado filosofando, dialética com mestres, Machado que hoje entendo enterrado em mim Joyce, De Beauvoir e Kafka. A solidão me corre as veias, destrói meu homem em mim, anuncia meu declínio. Ah Nietzsche, realmente existem escritores póstumos, extemporâneos, gênios, realistas, humanos e relevantes que chocam a alma, meu declínio.

Nem mais papai. Nem mais a bola. Nem mais amigos. Nem mais prazer. Somente a dor de saber que quanto mais estou vivo, mais aproximo-me da morte.

'Papai, o céu é grande'.

4:27 AM

Fim do recesso

Até mesmo um velho cego precisa descansar. Voltamos todos do recesso, agora a coisa é TRABALHO.