3:05 PM

Diálogo Metadesestruturado

Diálogo Metadesestruturado


Não! Não me venha com signos

as simbologias desvaneceram

e ainda querem o aumento

da in capacidade humana

ter

na

Como ousam puristas moralistas

imorais ultrajantes palavras?


Não! Não me dissocie,

todos são nossos produtos.

Seu mundo é por nós.

Quer, no parapeito,

entender aleitando?

Chupe!

São Neo-trágicos.

A comicidade impera.


Não! Não seja infâme

Não nos compare ao Ser

Não somos

Nosso paradigma é ordem

e neologiso vocês

Espelhos de mim alma?

Espelhos do mundo calma.


Minha edificação,

feição substancial,

é palavrosa e

espinho a todos como uma rosa.


Não! Não seja tola

no fim verborragia

em mim

é me

me

ro

Sou eu o todo

Aliena a mim toda a construção

Não! Não a quero

Desconstruo

Recrio a linguagem efêmera

Tácito

desestruturo nova

mente.
--------------------------------------------------------------------

Friedrich Romalek, filósofo, 77 anos, nascido em Psicatomópolis

4:31 AM

Temporalidade pueril

Temporalidade pueril


'Papai, o céu é grande'. O céu tem tanto céu que eu fico tontinho. A bola rola, na trave um pardal chaiando. No balanço vou e vou.

A bola rola, no buraco outras tantas. A pipa no céu, o vento varre o coração. Eu corro e corro, pegamos mais um. Pulo e subo a arvorinha, mamãe chama.

Os meus amigos começaram a sussurrar, abrem minhas portas, minha memória. Dos meus gibis sobraram palavras, meu livro posso ler. Meu coração acelera, para, acelera, trava, encolhe, arqueja. Meu eu, meus eus explodem em desarmonia, harmonia que surpreende, supera, se faz, desfaz, refaz, perfaz e eleva-se ao céu, meu eu sou eu, sou grande.

O prazer é o que importa, importo vinhos. Assisto Kubrick, Goddard e lá vem Almodóvar, tomo capuccino. O amor acaba, na esquina, na mesa do bar, no restaurante, naquele olhar onde começou. Dou risada de palhaços, riem de nós, os políticos.

Que é prazer? Que são amigos? Quem foi papai? É à noite deitado filosofando, dialética com mestres, Machado que hoje entendo enterrado em mim Joyce, De Beauvoir e Kafka. A solidão me corre as veias, destrói meu homem em mim, anuncia meu declínio. Ah Nietzsche, realmente existem escritores póstumos, extemporâneos, gênios, realistas, humanos e relevantes que chocam a alma, meu declínio.

Nem mais papai. Nem mais a bola. Nem mais amigos. Nem mais prazer. Somente a dor de saber que quanto mais estou vivo, mais aproximo-me da morte.

'Papai, o céu é grande'.

4:27 AM

Fim do recesso

Até mesmo um velho cego precisa descansar. Voltamos todos do recesso, agora a coisa é TRABALHO.

12:29 AM

Cidadania





Cidadania

Pego meu All Star

desço as escadas rolantes

surfando sem parar

nas ondas da Internet.


Recebo uma mala que

veio direta no meu nome.

Abro um convite,

minha primeira dívida.

Um cartão de crédito,

débito, master, super

Unlimitted.


Recebo um e-mail,

compre, faça, use

Seja!


Compro, faço, uso

Sou!

Sou mais um porra louca

arrependido, usado e vendido.


Pego meu All Star,

visto calça jeans,

cinto caído. Corro

para pagar. Para pegar.

Paro!


Me usaram,

mas usem,

me façam ser

o que não sou.

Gente!


Sou número,

um ponto estatístico

flutuando na economia.

Não tenho dinheiro.

Mas tenho crédito, débito.


Debitaram na minha conta:

$1 para ser cidadão.

3:35 AM

Cabeças ao chão










Cabeças ao chão


Abaixo...- a cabeça,

Abaixo a cabeça

enquanto caminho.

Não consigo olhar em redor,

não posso.

As ruas já se tornam infinitos,

são zeros que

nunca completarei.


Não suporto eles,

observe...-a cabeça,

observe suas cabeças,

tão levantadas, como

se o mundo estivesse pleno.

Não consigo adimitir,

não posso.


Abaixo a cabeça, pois

procuro no chão, o

resto.

O zero esquecido, onde

eu caminho.

Eu procuro um elo.

O que me

separa deles...-a cabeça.


Eu ainda tenho

a minha...cabeça.